quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Afinal o que é a Vida? Afinal o que é o Tempo?








Afinal, o que é a Vida? Afinal o que é o Tempo?



Há horas em que na nossa vida somos tomados por


uma enorme sensação de inutilidade, de vazio...
Questionamos o porquê de nossa existência e
nada parece fazer sentido.

Concentramos a nossa atenção no lado mais cruel
da vida, aquele que é implacável e a todos afecta
indistintamente: As perdas do ser humano.
Ao nascer, perdemos o aconchego ,
a segurança e a protecção do útero.

Estamos, a partir de então, por nossa conta.
Sozinhos.
Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo,
outras possibilidades nos surgem.

Ao perdermos o aconchego do útero,
ganhamos os braços do mundo.
Ele acolhe-nos: encanta-nos e assusta-nos,
eleva-nos e destrói-nos...
E continuamos a perder... e seguimos a ganhar.

Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura a nossa mão,
a coragem de andar desamparado
por que alguém, ao nosso lado, nos assegura
que não nos deixará cair...
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por quê? Perguntamos a todos e de tudo...

Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas,
irremediavelmente deixadas para trás...
Vamos crescendo...
Nascer,
crescer,
adolescer,
amadurecer,
envelhecer,
morrer,
renascer (?)...
Vamos perdendo aos poucos alguns
direitos e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem
alto, aos gritos mesmo, quando algo
nos é tomado contra a vontade.
Perdemos o direito de dizer absolutamente
tudo que nos passa pela cabeça sem
medo de causar melindres.

Estamos crescidos e ensinam-nos que não
devemos ser tão sinceros.
E aprendemos...
E vamos adolescendo...
ganhamos peso,
ganhamos pelos,
ganhamos altura....
ganhamos o mundo.
Neste ponto, vivemos em grande conflito.
O mundo todo nos parece inadequado
aos nossos sonhos...

Ah! Os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos.
Sonhamos a dormir,
sonhamos acordados,
sonhamos o tempo todo.

Aí, de repente, caímos na realidade!
Estamos amadurecendo... todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo.
Mas não é justamente essa a condição que nos coloca
acima dos outros animais?

A racionalidade, a capacidade de organizar as nossas acções
de modo lógico e racionalmente planejado?
E continuamos amadurecendo....
ganhamos uma casa nova, um carro novo,
um companheiro ou companheira, ganhamos diplomas.
E, desgraçadamente, perdemos o direito de gargalhar,
de andar descalço, tomar banho de chuva,
lamber os dedos...

E continuamos amadurecendo....
Mas perdemos peso!!!
Já não pulamos no pescoço de quem amamos...
mas apertamos as mãos de todos,
ganhamos novos amigos,
ganhamos um bom salário,
ganhamos reconhecimento,
honrarias,
vários títulos...

E assim, vamos ganhando tempo...
enquanto envelhecemos.
De repente percebemos que ganhamos algumas rugas,
algumas dores nas costas...
ganhamos peso... e perdemos cabelos.
Damo-nos conta que perdemos
também o brilho no olhar,
esquecemos os nossos sonhos,
deixamos de sorrir...
perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo...
E, afinal, quem nos garante que haverá mesmo
um renascer, excepto aquele que se faz em vida,
pelo perdão a si próprio, pelo compreender que
as perdas fazem parte, mas que apesar delas,
o sol continua a brilhar e, felizmente,
chove de vez em quando,
que a Primavera sempre chega após o Inverno,
que necessita do Outono que o antecede...
Que a gente cresça e não envelheça simplesmente...
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie...
Que tenhamos rugas e boas lembranças...
Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor
e um pouco de ousadia...
Que sejamos racionais, mas lutemos pelos nossos sonhos...
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo,
mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos,
saibam e se sintam amados.
Afinal o que é a Vida?
Afinal, o que é o Tempo?












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