domingo, 26 de outubro de 2014

Ficção ou Realidade?




O meu amor por ti tornou-se incontido.
Transbordou das veias e das artérias para a pele e da pele para os olhos, até ficar preso em todos os sentidos que me levam até ti: tocar-te, ver-te, ouvir-te, falar-te, cheirar-te, respirar-te.

Encontrei-te como quem encontra a gratidão de uma empatia.
Era uma ilusão, a tua ilusão cifrada, de que toda a conjugação de factores se resolve no prazer.
O prazer do teu corpo no meu é de tal maneira perfeito que se não te soubesse de carne e osso, com existência comprovada, julgaria teu prazer também ilusório.
Acordei com a luz dos teus olhos, luz que acende a certeza dos teus vestígios no meu interior.
Temos de partir.
Não temos nem mais um segundo.
Nem tu nem eu sabemos como as coisas serão.
Mas no fundo ambos sentimos que para viver em plenitude temos de arrumar o supérfluo nos confins da memória.
No sótão da avó cabe tudo.
Nada se perde no tempo.
As coisas ficam apenas com um ar de miragem triste.
A mim está-me reservado o direito de ser o teu Absoluto.

Tu não estás aqui, é um facto, mas que diferença faz?









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