quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Não pensarei mais em ti...









A vida do ser humano é parecida com a vida de uma árvore. Inicia-se por uma simples semente a quem é necessário dedicar todos os cuidados. Regar , alimentar, dar carinho e que vai crescendo e estendendo os seus ramos no início ainda frágeis, que baloiçam com qualquer aragem. Mas têm muitas vezes a mãe árvore que cuida dela!
Com o passar dos anos o seu tronco vai se tornando mais forte e com eles vários ramos se vão espalhando e tem que suportar ventos e tempestades. As pessoas que cuidavam da arvorezinha vão deixando de o fazer e ela tem de aprender a cuidar-se. Outras árvores se vão cruzando no seu caminho, que lhe dão algum carinho e alegria ajudam-na a crescer de uma forma feliz e saudável!. Só que muitas vezes essas mesmas árvores que lhe davam carinho, transformaram a sua vida numa verdadeira tempestade de dor e desilusão.
O tronco vai ficando mais enrugado, cansado e então essas pessoas olham para o lado e observam árvores mais jovens , belas menos cansadas pelas amarguras da vida e então partem em busca de um novo abrigo esquecendo todas as juras e as promessas que foram feitas.
Fica uma árvore triste cansada sofrendo a solidão da noite parecendo uma árvore de Outono em que as folhas vão caindo e ficando amarelas e secas. Com os ramos desfeitos apenas o tronco ao alto sem forças para lutar. São noites de insónia a olhar as estrelas a relembrar o passado e tentar perceber porque descemos das nuvens de uma forma tão rápida e triste. Das nossas folhas caem orvalho em forma de lágrimas, com sabor a fel e desalento.
Mas mais nada podemos fazer a não ser tentar ficar na nossa companhia e tentando fazer nascer novos ramos para que a árvore volte a ter vida. Silenciar a nossa dor na noite escura. Quando chove lava a alma de uma árvore desnudada e sem vida.
Mas agora é tarde demais! Acreditámos nas palavras que não passaram de enganos, de palavras furtivas... 

Resta-me continuar o meu caminho com o coração apertado, sem esperança e com feridas profundas, pois uma árvore cai sempre de pé.
E de pé continuo embora com os ramos desfeitos pela dor, desnudado de sentimentos ou ilusões. Apenas existe em mim tristeza e dor. Acreditei num amor livre e sem barreiras, mas tu não quiseste ficar, foste passear por outro jardim e eu fiquei com o coração descompassado de tanto sofrer. Tento soltar as amarras e também partir em busca de outras árvores, flores mas ainda não consigo! Para mim é cedo demais tu ainda estás demasiado presente em minha vida, todas as palavras que te disse foram sentidas, foram verdadeiras. Então fico aqui nas horas mortas e intermináveis da noite, olho as estrelas no seu cintilar e a beleza da lua e são nestas horas de tristeza e dor que mais te recordo. Ouço um pássaro cantar ao longe um canto triste e solitário, que me faz ainda mais aumentar a saudade e a incompreensão. Eu apenas canto prantos de saudade e dor.
Mas não quero mais chorar por ti vou pedir à lua que te arranque de dentro de mim, que leve para longe este sofrer e aos poucos vão apanhando ramo a ramo, os que tu cortaste e quem sabe um dia voltar a ser uma árvore amadurecida mas sonhadora agora não tenho sonhos limito-me a olhar as estrelas e reviver o passado, sem entender o presente e sem saber nada do futuro. Mas vou varrer-te da lembrança colocá-la numa caixa e enterrá-la bem fundo num terreno bem longe de mim onde nunca te possa ir desenterrar.

Não pensarei mais em ti.


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