terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Olhos que se encontram...

                                                                                                                                                   


 
Fecho os olhos.
O mundo de fora apaga-se.
 Suavemente uma imagem aparece: uma figura ímpar – meio gente, meio neblina, como se fosse sonho.

Essa figura começa a passear pelos meus olhos e passamos a passear juntos.
Atravessamos uma rua muito escura e longa, assustadora, mas há uma música no ar que não nos deixa entrar em pânico.
Caminhamos. A caminhada é longa, mas não é para cansar.
Quanto mais caminhamos, mais energia podemos despender.
Não precisamos falar, pois os nossos olhares  entendem-se,
 numa conversa onde não há perguntas, nem respostas, muito menos na procura das entrelinhas.
 Há apenas a plenitude do entendimento humano.

Abro os olhos. O mundo se apresenta, novamente,
num momento de crise em todas as instâncias.
 Matar e matar-se parece normal.
Tragédias, dores, fome, roubos, falcatruas, etc, etc, etc...
Há uma comoção, depois tudo passa a ser comum, porque no dia seguinte tudo acontece outra vez.
 E assim vai: diz-que-diz daqui, diz-que-diz de lá, e ninguém diz mais nada que valha a pena.
Que mundo será este?

Torno a fechar os olhos e esse mundo some. Retomo o passeio.
 A mesma figura passeia pelos meus olhos.
 Ainda temos uma longa caminhada pela frente.
Porém há outras pessoas e, imediatamente,
percebo que todos nós estamos olhos nos olhos e plenos de energia para seguir em frente.
 Entendemo-nos perfeitamente.
Não há mentiras, não há intrigas, não há tapetes a se puxar, não há atrocidades...
Apenas olhares que querem  ver-se claramente, ver o outro e perceber que somos um todo.
Assim, cada olhar, que é parte de outro, de outro e de tantos outros,
pode compor uma nova cidade, um novo país, um novo planeta.

Abro os olhos. Abra os olhos!
Vamos abrir os olhos?
Vamos sentir o sentido da palavra AMOR...
 
 
 
Abraços e Beijinhos.
 
Vosso,
 
José
 
 


 


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