quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Podemos sempre recomeçar de novo

"Não podemos voltar atrás e fazer um novo começo, mas podemos recomeçar e fazer um novo fim! "
Ayrton Senna
Enquanto aprecio o fim de tarde, na varanda virada para o mar, saboreando uma chávena de chá e lendo algumas noticias, repenso um pouco a minha vida e a vida de tantas pessoas que como eu sentem que mais um dia terminou e esperam que outro amanheça.
Muitos irão dormir com a cabeça cheia de preocupações, outros com uma alegria estampada no rosto, outros ansiosos, outros cheios de planos e sonhos...
Enfim cada ser humano tem as suas preocupações naturais e as suas alegrias!
Enquanto engoli mais um gole de chá, pensei que com o passar dos anos as nossas prioridades
vão-se alterando.
Até determinada altura é a escolha do curso que se quer tirar, o primeiro emprego, as primeiras contas para pagar, os primeiros namoros, o casamento, os filhos e a primeira casa, mas em cada acto da nossa vida, temos sempre um objectivo: encontrar a felicidade.

Em cada pequeno gesto, em cada pessoa que se cruza no nosso caminho, essa procura está sempre presente. Quando já temos tudo para sermos felizes por vezes continuamos a sentir um vazio e reparamos que apenas tivemos fugazes momentos ao longo do nosso percurso.
Então começamos a acreditar que ela nunca se vai cruzar connosco nesta estrada da vida!
Tantas vezes desistimos porque pensamos já não ter paciência ou tempo, e assim vamos continuando o nosso percurso sem felicidade nem ânimo.
Tudo seria mais fácil se vendessem paciência nos hipermercados, nas farmácias ou noutro lugar qualquer.
A vida seria mais calma se soubéssemos tomar a dose certa. Irritávamo-nos menos nas filas de trânsito, no emprego, em casa, e talvez a tão desejada tranquilidade vestida de felicidade viesse ao nosso encontro.
Quando todas as nossas prioridades acontecem e continuamos a sentir um vazio que nos consome por dentro e não nos deixa sonhar, só temos dois caminhos: ou nos acomodamos ou continuamos a nossa viagem por outras estradas desconhecidas, incertas, mas que dariam um novo alento ao nosso sentir.
Nem que para isso seja preciso recomeçar tudo de novo!
Deixar para trás uma vida em conjunto, bens materiais e concluirmos que a felicidade não passa pelo outro, mas por nós. Só assim seguiremos em direcção a ela, se acreditarmos que nunca é tarde para recomeçar.
Quando gostamos de nós aprendemos a fazer o nosso caminho. Não vamos correr mais atrás das borboletas mas cuidar o jardim que há dentro de nós para que sejam elas a vir ao nosso encontro! De certeza que uma poisará porque vai encontrar um jardim bem tratado: com carinho, amor e auto-estima. Se assim não for nenhuma poisará por muito tempo. Todas levantarão voo porque se sentem perdidas num jardim meio desnudado, sem flores a desabrochar, mas a morrer em cada novo amanhecer.
Não é fácil recomeçar, nada fácil. Ficamos à espera que tudo se recomponha, como se o tempo fosse o obreiro de todas as obras.
Toda a minha vida corri atrás das borboletas esquecendo-me de cuidar do meu jardim. Deixei murchar todas as flores, caíram todas as pétalas até que já não havia uma única flor. Tinha dentro de mim um jardim de Inverno, em que apenas os troncos estavam de pé e pelo chão pétalas sem vida.
A borboleta que habitava esse jardim já não tinha vida. Há muito que o sobrevoava como um fantasma. Ela tinha medo de perder o porto de abrigo, de procurar outro jardim e eu tinha receio de não ter forças para semear novas flores.
Mas um dia num acto de loucura, lucidez ou coragem, achei que este jardim ainda poderia ter vida, deixei tudo para trás e estou, sozinho, a aprender a colocar novas sementes num jardim ainda desnudado.
Só precisamos ter alguma paciência, não importa o momento em que nos cansamos, o que importa é termos a coragem de recomeçar e fazer um novo fim!
Sem pressas vou caminhando, um pé a seguir ao outro, como uma criança que dá os primeiros passos.
Tenho a consciência que há à minha frente uma longa travessia num no deserto com algumas tempestades de areia! Só que não posso nem quero voltar atrás. Se não que sentido teriam as lágrimas que derramei? As lutas que travei? Os caminhos que desbravei?
Recomeçar de novo é dar uma nova hipótese a nós mesmos de renovar o jardim que habita dentro de nós, aprender com os erros passados, mas mais que renovar ou aprender é voltar a acreditar que temos futuro!
Uma porta se fechou e uma janela se abriu, a da tranquilidade, da esperança, da força e vontade de viver. Há momentos em que o desânimo quer entrar, mas tento não deixar! Porque este será apenas o início de um novo caminhar. O caminho que escolhemos em busca da paz interior e do sonho renovado.
O meu chá terminou, levanto a folha de papel em que escrevo e observo o sol a esconder-se entre as nuvens, como nós fazemos tantas vezes na nossa vida, escondemo-nos atrás de falsas realidades, de falsos muros que a qualquer momento se desmoronam e ficamos perdidos, porque não soubemos saltar o muro antes de ele cair e não tentámos uma nova vida do outro lado!
Mas o ser humano é assim mesmo, tem medo das mudanças - o desconhecido assusta-o! Mesmo que seja para melhor. Mas como vamos saber o dia de amanhã? Como saber o que é certo ou errado? Só arriscando... só tentando.
Eu neste momento só tenho uma certeza: vou buscar uma nova chávena de chá...
Abraços e beijinhos.
José




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