quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ciclos de Vida, de Paulo Coelho


Música de Fundo: Robert Haig Coxon - The Silent Path - Angelic Love Section



Ciclos da Vida

Sempre é preciso saber quando uma etapa
chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela
mais do que o tempo necessário,
perdemos a alegria e o sentido
das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas,
terminando capítulos, não importa
o nome que damos.
O que importa é deixar no passado
os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada
desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando
por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que
não dará mais um passo enquanto
não entender as razões que levaram certas coisas,
que eram tão importantes e sólidas em sua vida,
serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos:
seus pais, seu marido ou sua esposa,
seus amigos, seus filhos, sua irmã...
Todos estarão encerrando capítulos,
virando a folha, seguindo adiante,
e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo
no presente e no passado,
nem mesmo quando tentamos entender
as coisas que acontecem connosco.
O que passou não voltará:
não podemos ser eternamente meninos,
adolescentes tardios,
filhos que se sentem culpados ou rancorosos
com os pais,
amantes que revivem noite e dia
uma ligação com quem já foi embora
e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam e o melhor que fazemos
é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante
(por mais doloroso que seja!)
destruir recordações, mudar de casa,
dar muitas coisas para orfanatos,
vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível
é uma manifestação do mundo invisível,
do que está acontecendo em nosso coração
e o desfazer-se de certas lembranças significa
também abrir espaço para que outras
tomem o seu lugar.
Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida
com cartas marcadas.
Portanto, às vezes ganhamos
e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo,
não espere que reconheçam seu esforço,
que descubram seu génio,
que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional
e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra
como você sofreu com determinada perda:
isso o estará apenas envenenando e nada mais.
Não há nada mais perigoso que
rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego
que não têm data marcada para começar,
decisões que sempre são adiadas
em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo é preciso
terminar o antigo:
diga a si mesmo que o que passou,
jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que
podia viver sem aquilo,
sem aquela pessoa...
Nada é insubstituível,
um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil,
mas é muito importante.
Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho,
por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente aquilo
já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco,
limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era,
e se transforme em quem é.
Acerte em tudo que puder acertar.

Mas, não se torture com seus erros
Paulo Coelho



Abraços e Beijinhos,
José
 
Enviar um comentário